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Governo federal está atento à oferta de crédito

Por: Patrícia Comunello

A oferta de crédito ao consumidor está na mira e nas preocupações do governo federal, garantiu o secretário do Tesouro Nacional, o gaúcho Arno Augustin. A dificuldade de acessar linhas, ou o custo após a escalada de alta dos juros básicos interrompida em maio, é apontada como razão para freio de gastos das famílias e que atinge negócios em setores como o de automóveis. Augustin, que participou em Porto Alegre do fórum sobre desenvolvimento do jornal espanhol El País, assegurou que a área econômica pode fazer ajustes na política para manter o nível adequado de crédito.

O tema fluxo de crédito e estado de confiança de investidores foi um dos focos do debate, que contou também com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ex-executivos de bancos internacionais. O secretário do Tesouro lembrou que o crédito ao consumidor tem as suas especificidades. “O governo entende que é importante prover crédito, e o Banco Central tem política monetária que corresponde ao nível de crédito adequado a cada momento e pode sofrer ajustes”, pontuou. O gestor do Tesouro associou que possíveis alterações observarão impactos da política econômica no nível de emprego e preços. “Para permitir que o Brasil possa continuar crescendo”, vinculou o secretário.

O desempenho do Produto Interno Bruto, que avançou 0,2% de janeiro a março frente aos três últimos meses de 2013, segundo Augustin, integra o ambiente de uma economia internacional que cresceu menos do que se esperava. “Infelizmente, parece que não está com o vigor que se gostaria”, observou. Disposto a minimizar a onda de pessimismo instalada desde abril e que é reforçada por indicadores recentes da indústria com clara desaceleração, Augustin lembrou que analistas erraram na taxa do PIB para 2013 – ficou em 2,3% e o mercado apontava menos – e opinou sobre a influência da divulgação dos indicadores. “Afeta mais ou menos o otimismo. Formar expectativa também faz parte”, justificou o secretário, referindo-se ao monitoramento que a área econômica faz sobre o ambiente e mercado.

Augustin descartou que novas desonerações setoriais, como a aplicada ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), possam ser ativadas neste ano. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia afastado a volta de cortes. A recomposição das alíquotas dos tributos se mantém. A saída seria ampliar financiamentos, mas o setor automotivo se queixa do rigor dos bancos, que alegam inadimplência e riscos. Augustin considerou a queixa de que a venda de veículos sofre o efeito do impasse com o governo argentino, que deve se encerrar após o acordo recente. “Os altos estoques têm a ver com a queda da Argentina. O governo está sempre olhando essas coisas e, a cada momento, vai definir sua política a partir de indicadores.” O secretário também mostrou que as metas de superávit atendem à previsão e que a cota de estados e municípios para o ano foi quase atingida. Ao comentar a tramitação do projeto que altera o índice de correção das dívidas dos estados com a União, Augustin descartou votação próxima. Ele citou que há consenso entre União e governadores de que não haverá votação neste período. O prazo sugere até a eleição.

O ex-vice-presidente do Banco Santander na América Latina, o economista Francisco Luzón, citou incertezas sobre os rumos da economia no País e mostrou preocupação com o nível de crescimento. “É importante mudar a política econômica e ter desafios no longo prazo”, opinou Luzón, que dividiu o palco com Augustin. Luzón projetou que mais investimentos em infraestrutura e na produtividade poderia elevar o PIB a 3% a 4% ao ano, em vez de menos de 2%, segundo sua projeção para 2014. “É o momento de melhorar. A América Latina espera pelo Brasil”, provocou o ex-executivo do Santander. O secretário do Tesouro contrapôs que o nível de atração de investimento estrangeiro direto (IED) se mantém, com três anos consecutivos entre US$ 64 bilhões e US$ 66 bilhões anuais.

Lula, que falou por mais de uma hora no evento, apontou que a queda no investimento reflete demanda em baixa e não escassez de crédito. “Por que não tem investimento? Não tem porque o País não quer vender nada. Penso que temos de tomar muito cuidado para não entrar numa rota delicada”, observou o ex-presidente. Com Augustin na plateia, Lula recomendou que o governo criasse um fundo de comércio de US$ 2 bilhões para alavancar os negócios com a África. Para Lula, Estados Unidos e China estão fazendo gestões e ocupando espaço no continente vizinho.



Publicado em: 09/06/2014         Fonte: Jornal do Comércio         Postado por: Ronnie de Sousa

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