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Decisão de manutenção da taxa Selic agrada setor privado

O Comitê de Política Monetária (COPOM) divulgou na noite desta terça-feira (28), a manutenção da SELIC em 11%, que decidiu pela estabilidade após acumular alta de 3,75 desde abril de 2013. Para a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP e CIESP), a manutenção da taxa Selic neste patamar será prejudicial à retomada das atividades. Indústria, comércio e serviços já sentem a redução do volume de vendas, e nem a proximidade do início da Copa traz reversão deste processo.

"A manutenção da taxa de juros em patamar tão elevado diante de uma economia em desaceleração e um crescimento anêmico mostra como a política monetária está descolada da realidade do Brasil. Não basta interromper o ciclo de alta de juros, é necessário reduzi-los, de forma urgente e decidida para que o país volte a crescer num ritmo vigoroso e sustentável, afirmou Paulo Skaf, presidente da entidade.  "A inflação já dá sinais de recuo, e a política econômica deve buscar o investimento, a produtividade e a manutenção de empregos. E esse juro é contra esses objetivos" concluiu Skaf.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) critica a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 11% ao ano. "O Copom deixou escapar uma boa oportunidade para baixar a Selic e estimular o crescimento econômico, além de forçar uma queda dos juros e dos spreads dos bancos, a fim de baratear o crédito e incentivar o emprego e a distribuição de renda, visando o desenvolvimento do país", avalia o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

"As altas taxas da Selic para controlar a inflação só têm beneficiado os bancos, os rentistas e grandes especuladores financeiros", salienta. O dirigente sindical aponta que "é preciso aproveitar esse momento, em que o Copom pelo menos interrompe a elevação da taxa, para fazer um debate público sobre a utilização desse instrumento de política monetária como a única medida de controle de preços no país". Para Cordeiro, "o custo social e econômico da utilização da Selic no controle da inflação tem se mostrado muito elevado e é urgente acionar outras políticas voltadas para este fim, cujos efeitos sejam menos danosos. É necessário buscar outras variáveis, em especial o número e a qualidade dos empregos e a remuneração média dos trabalhadores".

"Essa política de juros altos só tem aumentado o lucro dos bancos e a concentração da renda. Para o país crescer é necessário que haja desenvolvimento com geração de empregos e distribuição de renda", ressalta o presidente da Contraf-CUT.

O segmento atacadista distribuidor, que trabalha com bens de consumo básico das famílias, tem reiteradamente se posicionado contra as elevadas taxas de juros e comemora o fato de não haver nova elevação, por ora.  Contudo, a raiz do problema permanece: o controle da inflação é importante, mas a manutenção de um patamar de juros mais civilizado é uma necessidade para que se consiga retomar a eficiência dos setores produtivos. "Lembramos que juros não respondem apenas à equação oferta-demanda. Juro também remunera risco, e nos parece que a tarefa mais fundamental e urgente para todos os integrantes do governo é transmitir ao mercado a necessária segurança sobre suas decisões - sejam sobre juros, tributos ou marcos regulatórios setoriais -, estabelecendo um ambiente de confiança capaz de atrair e manter os investimentos que irão sustentar o crescimento continuado", afirma o Presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (ABAD), José do Egito Frota Lopes Filho.

"O término do ciclo de alta dos juros é necessário para evitar que o custo da redução da inflação recaia preponderantemente sobre o setor produtivo", afirma a CNI. A instituição lembra, no entanto, que as sucessivas elevações dos juros desde abril de 2013 foram insuficientes para colocar a inflação em patamares menores. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses está em 6,28% e deve continuar próximo de 6,5%, teto da meta estabelecida pelo governo.

A entidade compreende que são necessárias outras ações para que a inflação volte ao centro da meta, que é de 4,5%. Na avaliação da entidade, as iniciativas adotadas na política monetária devem ser complementadas por medidas na área fiscal, para minimizar os efeitos do aumento dos juros sobre a atividade produtiva.

Segundo a assessoria econômica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), os membros do Copom sinalizam, com a medida, terem identificado que as recentes altas começaram a surtir efeitos no combate da inflação. Mesmo que amargo, o ciclo de aumentos da taxa básica de juros foi um remédio necessário. Pior seria, ainda na avaliação dos economistas da Fecomercio-SP, deixar os índices subirem em patamares próximos aos da Argentina e da Venezuela - países vizinhos que sofrem atualmente as consequências negativas da perda de controle inflacionário, entre eles a desorganização econômica generalizada.

Nesse contexto, a Federação reafirma confiança no trabalho do Banco Central do Brasil com a perspectiva de recuperação de parcela importante dos fluxos de capitais, sobretudo financeiros, para a contenção do câmbio sobre a elevação dos preços no mercado interno. Apesar disso, os riscos não foram completamente eliminados. O Brasil conta, pelo menos por enquanto, com o benefício do excesso de liquidez internacional, permitindo a manutenção de deficit em transações correntes de 4% do PIB sem grandes efeitos negativos.

Os economistas da Federação ressaltam que o sucesso desse processo de combate à inflação ainda levará um tempo e requer postura firme do Copom, demonstrando disposição de garantir austeridade diante de qualquer soluço inflacionário, inclusive com a retomada de eventual ciclo de altas da Selic, caso seja necessário.

"O baixo crescimento da economia brasileira persiste. Na verdade, se intensificou nos últimos meses com a desaceleração do consumo das famílias, a redução da geração de empregos e a piora dos indicadores de confiança dos empresários de vários setores. Além disso, nos próximos meses ainda serão sentidos os efeitos defasados da política monetária sobre o crescimento econômico, após um ano de altas sucessivas da taxa Selic. Por isso, o Sistema FIRJAN entende que o fim do ciclo de aperto monetário foi uma decisão acertada. Assim, será possível avaliar seus efeitos sobre a atividade e a inflação. No entanto, para que a inflação de fato arrefeça nos próximos meses é imprescindível a colaboração da política fiscal através da redução dos gastos públicos, em especial os de natureza corrente", pontua a direção da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN).

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica, Fabio Arruda Mortara, o anúncio feito pelo Copom de manter em 11% a taxa Selic pode ser reflexo mais do medo de que um novo aperto monetário agrave o quadro de desaceleração do crescimento da economia  do que do fim da fantasia de que a medida basta para conter a inflação, principalmente em um cenário de gastos públicos elevados. "Já está evidente que a inflação fechará o ano batendo (ou até superando) o teto de 6,5% e não se espera resultado melhor em 2015, para quando os interesses eleitorais prometem empurrar a inevitável recomposição dos preços de petróleo e energia elétrica. Significará aumento da pressão inflacionária e necessidade de arroxo monetário. O mercado sabe disso e já age segundo a lógica de que aumentos nos juros podem ser esperados para depois das eleições", afirma o empresário.

Segundo ele, porém, esse não é o único inibidor de investimentos no capital fixo: "As empresas receiam ampliar a capacidade produtiva por inúmeros motivos. Há o risco hídrico e energético, o último já pressionando os preços dos contratos de fornecimento no mercado livre; o atraso nas obras de infraestrutura e um ambiente externo ainda desfavorável às exportações. Somam-se aí, o mercado interno pressionado pelo alto endividamento das famílias e a persistente prática de concessão de benefícios segmentados, que favorecem algumas atividades, mas desequilibram o mercado e geram inseguranças tributárias e jurídicas", completa Mortara.

"O governo felizmente interrompeu o processo de aperto monetário e parou de aumentar a taxa Selic. A estabilidade da inflação em patamares elevados, apesar da alta taxa básica real de juros, somente demonstra que o melhor remédio para a inflação é um maior controle das despesas publicas correntes. O governo precisa gastar menos e com mais eficiência". A opinião é do presidente do Sinditêxtil-SP (Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo), Alfredo Bonduki, ao comentar, nesta quarta-feira (28/05) a decisão do Copom de manter a Selic 11%" .
 
Segundo Bonduki, a  estratégia de juros altos com o intuito de arrefecer o consumo e derrubar a inflação não funciona, em especial quando o governo não faz a sua parte, gastando mais do que arrecada. "No final, quem paga o custo financeiro é toda a sociedade", enfatiza.

"Embora a inflação ainda esteja em patamar elevado, consideramos correta a decisão do Copom de manter a Selic inalterada, porque os aumentos sucessivos dos juros nos últimos meses causaram forte retração das atividades econômicas. Defendemos uma pausa no processo de elevação da Selic para evitar que a desaceleração da economia observada nos últimos meses resulte em estagnação ou recessão. Acreditamos que as altas dos juros terão impacto no controle da inflação, mas para que possa haver redução no ritmo de alta dos preços é preciso que o governo colabore com uma política fiscal mais austera baseada na redução dos gastos de custeio, e não no aumento de tributos ou redução dos investimentos", afirma o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Rogério Amato.



Publicado em: 29/05/2014         Fonte: DCI         Postado por: Ronnie de Sousa

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