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Poupança teve ingresso de R$ 1 bilhão no último dia da regra antiga

Os depósitos de recursos da caderneta de poupança superaram as retiradas em R$ 1,05 bilhão no dia 3 de março, no mesmo dia em que foram anunciadas mudanças nas regras de remuneração da caderneta de poupança, segundo informou nesta quarta-feira (9) o Banco Central (BC).

Na quinta-feira da última semana, antes da alteração das regras, os jornais de grande circulação, e também os sites de notícias, entre eles o G1, já anunciavam que as regras da caderneta de poupança mudariam – com validade a partir do dia seguinte (sexta-feira, 4). Com isso, a população teve tempo de fazer aplicações antes das alterações das normas.

O valor da captação líquida (depósitos menos retiradas) da última quinta-feira (3) representa, por exemplo, metade da captação registrada em todo mês de abril, de R$ 1,97 bilhão, que foi o maior valor, para este mês, nos últimos cinco anos.

Entretanto, esse saldo diário costuma subir no fim e no começo de cada mês - quando a população recebe salário. Também costuma variar muito durante o mês. É comum haver um ingresso líquido forte em um dia, por exemplo, com retirada grande em outro dia do mesmo mês.

Estoque de R$ 435 bi pela regra antiga

Na quinta-feira da última semana, os números do Banco Central mostram que os depósitos na caderneta de poupança somaram R$ 5,39 bilhões, ao mesmo tempo em que as retiradas totalizaram R$ 4,33 bilhões.

No fim daquele dia, o montante total de recursos depositado na modalidade de investimentos (estoque) somou R$ 435 bilhões. Estes recursos continuarão tendo remuneração pelas regras antigas (0,5% ao mês, ou 6,17% ao ano, mais TR), independente do que acontecer com a taxa básica de juros da economia.

Desde a última sexta-feira (4), segundo anúncio do governo, a remuneração da caderneta de poupança está atrelada aos juros básicos da economia brasileira. O objetivo do governo é permitir a redução maior dos juros básicos da economia, atualmente em 9% ao ano. O mercado financeiro espera um corte para 8,5% ao ano, se confirmado o menor patamar da história, já no fim deste mês.

A decisão do governo é de que a poupança passe a render 70% da taxa Selic, que é fixada a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, mais a variação da Taxa Referencial (TR). A regra será aplicada somente quando os juros básicos recuarem para 8,5% ao ano, ou abaixo disso. A modalidade continuará isenta do Imposto de Renda (IR).

Com a alteração, o piso histórico de remuneração da mais tradicional modalidade de investimentos do país, de pelo menos 6% ao ano, que é assegurada desde 1861, poderá cair nos próximos meses. Desde1991, apoupança rende ao menos 0,5% ao mês (6,17% ao ano), mais TR.

Rentabilidade da poupança antiga e das novas aplicações

Estudo da Associação Nacional de Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) informa que, com estas alterações feitas nas regras da poupança, as contas antigas da poupança (depósitos feitos até 3 de maio) passarão, com a provável queda dos juros nos próximos meses, a ter um "retorno financeiro maior", seja sobre a nova poupança ou sobre os fundos de investimentos que cobram imposto de renda e taxa de administração, e esta vantagem será maior quando maior for a queda da taxa básica de juros. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a dizer que as pessoas com aplicações antigas na poupança são "felizardas".

No caso das aplicações feitas a partir das última sexta-feira (4), já abrangidas pelas novas regras da poupança, a Anefac avaliou que, mesmo com a alteração das normas, que baixará o rendimento da poupança em caso de queda na taxa Selic, a modalidade continuará se destacando frente aos fundos de renda fixa por não ser taxada com Imposto de Renda e não ter taxa de administração.

"Quanto à rentabilidade das novas poupanças, mesmo com as alterações feitas, que vão provocar uma redução em sua rentabilidade se comparadas às contas antigas, mesmo assim elas vão continuar se destacando frente aos fundos de renda fixa, pelo fato que não pagam imposto de renda nem taxas de administração. Este fato deverá provocar reduções nos custos das taxas de administração dos bancos para não perderem clientes", avaliou a Associação



Publicado em: 10/05/2012         Fonte: G1         Postado por: Equipe Essência Sobre a Forma

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