COLUNISTAS


Facebook Twitter Linkedin
Ricardo Bertolucci

• Graduação em Engenharia Mecânica – ênfase Projeto e Fabricação – USP;
• Mestrado em Administração – ênfase Gestão Estratégica – UNIMEP, tendo defendido a dissertação “Estudo sobre o Gerenciamento do Risco Corporativo: Proposta de um Modelo”;
• Consultor e instrutor em Lean Seis Sigma, tendo treinado centenas de profissionais como Green Belts, Black Belts, Master Black Belts e Designers for Six Sigma, para empresas de manufatura e serviços, nas mais diversas áreas;
• Ex engenheiro de qualidade da Ford do Brasil;
• Artigos publicados na Revista Extr@ato, Congresso Brasileiro de Contabilidade, CLADEA e ENEGEP;
• Agraciado com o Troféu Cultura Econômica 2009, categoria Melhor Livro de Contabilidade, com o livro “Gerenciamento do Risco Corporativo em Controladoria: ERM – Enterprise Risk Management”, escrito em co-autoria com o Prof. Dr. Clóvis Luiz Padoveze;

 


Matriz de Risco - uma Ferramenta para Avaliação de Riscos

Por Ricardo Bertolucci

Como vimos em nosso artigo anterior, a Avaliação dos Fatores de Risco é um das etapas componentes de qualquer modelo de Gerenciamento do Risco Corporativo. Existem diversas formas de proceder tal avaliação, e uma das mais conhecidas é a Matriz de Risco.

Algumas das qualidades da Matriz de Risco são um grande poder de comunicação visual (ela será usualmente montada de acordo com um sistema do tipo verde/amarelo/vermelho), e simplicidade (aparente?) de elaboração e gestão.

Discutiremos a seguir as principais características dessa técnica, e alguns dos desafios para sua aplicação prática.

Como funciona a Matriz de Risco?

Basicamente, a Matriz de Risco apresenta nos seus eixos escalas de probabilidade de ocorrência e impacto corporativo para um dado fator de risco (não existe alocação formal para as escalas entre horizontal e vertical). Observe o exemplo a seguir:

Desenhada a estrutura da matriz, cada um dos fatores de risco identificado (a identificação dos fatores de risco é a primeira etapa de um sistema de Gerenciamento do Risco Corporativo) deve ser avaliado (qualitativamente, a priori) em termos de probabilidade e impacto, e posicionado na Matriz de Risco. A região vermelha engloba os riscos que devem ser tratados prioritariamente.

Sob essa concepção simples, entretanto, muitas perguntas emergem quando da aplicação dessa técnica. Existe uma "escala" padronizada para os eixos? Quantos "níveis" a avaliação qualitativa deve apresentar? Eventuais controles existentes devem ser considerados ao definir Probabilidade e/ou Impacto (ex. seguros ou estruturas de investimento diversificadas)?

Eixo da Probabilidade

A escala das probabilidades é regra geral, mais facilmente associável a técnicas quantitativas ou histórico de eventos. A maior parte das referências existentes sugere escalas com 3 a 9 classes de probabilidade. A AS/NZS 4360, por exemplo, sugere uma escala de 5 classes: A - Quase certo, B - Provável, C - Possível, D - Improvável, E - Raro.

Naturalmente, essa escala deve ser ajustada às particularidades da organização, mas uma prática interessante é associar uma escala quantitativa. Observe um exemplo:

Eixo do Impacto

A escala de Impacto deveria levar em conta, como um mínimo, as consequências econômico-financeiras (fluxo de caixa, valor para o acionista e lucro) e as consequências estratégico-operacionais (político, comunidade, imagem, participação no mercado, viabilidade e objetivos) de um dado evento de risco. Para as consequências econômico-financeiras, também é possível associar uma escala quantitativa (ex. uma fração do patrimônio líquido, ou dos ativos totais da organização, uma fração da receita ou do lucro etc.). Já os eventos com efeitos estratégico-operacionais costumam ficar restritos a uma avaliação de impacto puramente qualitativa, como no exemplo a seguir:

Quando da avaliação do Impacto, o usual é que não se levem em conta eventuais contramedidas existentes (é sempre importante lembrar que a matriz trata os riscos de acordo com sua natureza inerente). Por essa razão, é comum associar ao risco algum tipo de código que identifique se ele já tem algum mitigador em ação.

Observe a seguir um exemplo:

Fonte: Adaptado de IFAC (1999, 21) 

E um interessante modelo de ajuste de escalas, extraído de ACTIA (2004, 20):

No próximo artigo, discutiremos o FMEA como metodologia alternativa de avaliação de fatores de risco.

Postado dia 13/10/2012 - Fonte: Essência Sobre a Forma


Comentários:


Clique aqui para comentar este artigo


RÔMULO DE SIQUEIRA CAVALCANTI

Administrador de Empresas
Recife - PE
Membro desde: 17/01/04
Prezado Professor, na última parte do seu post, modelo extraído do ACTIA está de difícil visualização, seria possível visualizar o que está escrito? Obrigado.


Dia 04/01/2017 às 19:06:28


Hélio antonio

estudantehe
Coimbra - AC
Membro desde: 15/04/16
Professor Ricardo excelente esclarecimento da Matriz.
Eu não assisti esta aula e estou encontrando muuuuuitas dificuldades para como começar e terminar a matriz de risco por ex deste documento técnico da proteção civil link .http://www.prociv.pt/Documents/CTP9_www.pdf Nenhum colega se disponibiliza em me dar uma explicação pelo menos. Eu quero ser um profissional da protecção Civil . Clamo o seu apoio. http://www.prociv.pt/Documents/CTP9_www.pdf]


Dia 16/04/2015 às 22:29:24


Edson Narciso

Auditor Bancario
Luanda - Angola - AC
Membro desde: 13/04/2012
Boa tarde carissimo Dr.Ricardo Bertolucci

Estou fazendo um trabalho sobre matriz de Risco de um Banco, propriamente na area comercial, mas nao sei como começar, voçes poderiam me ajudar?

Dia 03/10/2013 às 12:19:13


LEONARDO

ADMINISTRADOR
RIO DE JANEIRO - RJ
Membro desde: 13/03/2013
Prezado Professor, excelente artigo sobre matriz de riscos.
O Sr. pode enviar-me alguns modelos de matrizes de risco em planilha?
Att.

Dia 13/03/2013 às 16:13:32


Ricardo Bertolucci

Engenheiro
Piracicaba - SP
Membro desde: 11/11/2012
Caríssimo Edno, vamos às suas oportunas observações:
1) As técnicas de levantamento de fatores de risco são as mais variadas, indo desde o tradicional brainstorming, passando pelas entrevistas com gestores, podendo avançar até técnicas mais sofisticadas, tomadas de empréstimo da Qualidade (como o Espinha de Peixe) ou da Engenharia (como a Análise de Árvore de Falhas - FTA). Sobre esse tema, vale à pena dar uma olhada em COSO - Gerenciamento de Riscos Corporativos - Estrutura Integrada - Sumário Executivo (2007), IBGC - Guia de Orientação para Gerenciamento de Riscos Corporativos (2007) e, por que não, no livro por mim escrito em co-autoria com o Prof. Dr. Clóvis Luiz Padoveze, Gerenciamento do Risco Corporativo em Controladoria (Cengage Learning 2008). No livro, abordo o tema sugerindo um checklist de fatores de risco como iniciador de idéias nas entrevistas com gestores.
2) Para a avaliação de riscos de processos (que não deixam de ser corporativos...), a Matriz de Risco pode ser utilizada, sim, assim como em projetos, mas parece-me padecer de uma certa fragilidade analítica para a detecção de riscos específicos. Eu, particularmente, entendo haver ferramentas mais adequadas para isso, especificamente recomendo o uso da Análise dos Modos de Falha e seus Efeitos (FMEA). No próximo artigo, lançarei as bases para o uso dessa técnica.

Obrigado pelo apoio, e um forte abraço!

Ricardo Bertolucci

Dia 26/02/2013 às 22:04:03


Edno Costa

Auditor Interno
Rio de Janeiro - RJ
Membro desde: 10/01/2013
Parabéns pelo artigo professor! Se possível gostaria se solicitar alguns esclarecimentos:
1) Existem técnicas consolidadas e publicadas para a etapa de mapeamento dos riscos inerentes e residuais? O Sr.poderia citar alguma bibliográfica que trate do tema?

2) A aplicação da matriz também seria eficiente para o tratamento de riscos de processos específicos (ex.: compras, faturamento, estoques, etc.) e não necessariamente corporativos?

Mais uma vez parabéns e obrigado.



Dia 10/01/2013 às 09:31:23


Ricardo Bertolucci

Engenheiro
Piracicaba - SP
Membro desde: 11/11/2012
Reinaldo, sua pergunta é muito pertinente!
Antes de mais nada, é fundamental recordar que a Matriz de Riscos deve abordar tanto aquilo que habitualmente chamamos de riscos correntes (ou seja, já conhecidos e presentes, fruto de processos mentais convergentes), quanto os riscos futuros (ou seja, aquilo que poderia vir a ser, fruto de processos mentais divergentes).
É fundamental lembrar que as etapas de um bom Gerenciamento do Risco Corporativo devem preservar a mais estreita conexão. Antes de surgir a Matriz de Riscos, é necessário que tenhamos conduzido o levantamento de fatores de risco. A Matriz será tão boa quanto tiver sido esse levantamento, visto que deverá englobar a avaliação de probabilidade e impacto de cada fator identificado.
Tentando colocar a coisa sob uma perspectiva prática, a recomendação é que a Matriz de Risco seja revisada, formalmente, no mínimo a cada exercício, mas qualquer mudança de cenário ou fato novo relevante, vivenciado ou imaginado (!), deve ser incorporado. Ou seja, a Matriz de Risco é o que chamamos de documento vivo.

Saudações!

Dia 11/11/2012 às 22:17:06


Reinaldo Pereira Santos

contador
São paulo - SP
Membro desde: 01/04/2012
A abordagem está muito boa, porém fiquei com algumas dúvidas: A Avaliação é feita para cada exercício, ou é feita uma projeção para os próximos anos, se é que isso é possível, já que estamos lidando com riscos.

Dia 15/10/2012 às 11:01:16


Ronnie de Sousa

Profissional de Contabilidade
São Paulo - SP
Membro desde: 03/04/2012
Professor Ricardo,

Excelente abordagem sobre "matriz de riscos", uma ferramenta de extrema importância para a analise dos ricos das empresas. Parabéns!

Dia 13/10/2012 às 22:58:54

Visitantes: 53655


beylikduzu escort
porno
porno