COLUNISTAS


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Ahmed Sameer El Khatib

• Bacharel em Ciências Contábeis pela FEA-USP (2007).
• MBA em Finanças pela FIA (2009).
• MBA em IFRS pela FIPECAFI (2013).
• Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais pela PUC-SP (2013).
• Atualmente é Doutorando em Administração de Empresas na PUC-SP.
• Possui mais de dez anos de experiência na área contábil.

 


A Outra Face do Contador

Por Ahmed Sameer El Khatib

 

Maio de 2004. Há pouco mais de oito anos escrevia para o jornal da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), em meu segundo ano de graduação no curso de Ciências Contábeis. Escrevia um texto simples, diria que em tom de desabafo, pois queria mostrar para todos que o curso que havia escolhido era um curso promissor e, ao contrário do que muitos achavam e ainda acham, de alunos pensantes.

Vamos começar falando um pouco das origens da Contabilidade, exaustivamente exploradas nas aulas de Teoria da Contabilidade. Os primeiros indícios de que se tem sobre essa ciência são de 10.000 a.C., quando foram encontrados os primeiros rudimentos contábeis para controle da agricultura e criação de animais, através das fichas de barro.Saltando algumas centenas de anos temos que seu marco histórico deu-se no ano de 1494, em Veneza, com a publicação da obra Summa de Arithmetica Geometria Proportioni et Proportionalita, do Frei Luca Paciolli.

Paciolo foi tido para muitos como o “pai” da contabilidade, por ter descrito o método utilizado pelos mercadores daquela região para controlar as operações de compra e venda, que seria chamado de “método das partidas dobradas”, como é conhecido até os dias de hoje. E neste ínterim, a profissão evoluiu bastante, principalmente após o ano de 1946, quando foi, de fato, regulamentada. Desde então, as oportunidades no mercado de trabalho não param de crescer. Não param de crescer, mas poucos sabem disso.

Apesar da Contabilidade ser bem antiga, nosso curso é pouco conhecido pelos estudantes de outras áreas. Basta que você pergunte a um amigo seu da área de biológicas ou exatas o que faz um contador. A resposta será imediata: “Apurar o Imposto de Renda”. Para alguns se trata de um curso que não traz retorno financeiro (grande erro!). Para outros, por sua vez, uma espécie de saída por se tratar de um curso mais “fácil” de ingressar quando comparado com outras áreas mais clássicas.

Pode ser até mais “fácil” de se ingressar numa faculdade de Ciências Contábeis, entretanto, muitos não sabem que a concorrência por vagas de empregos nas áreas ditas “mais nobres” da contabilidade supera até o mais difícil dos vestibulares. Podemos citar, por exemplo, o caso das empresas de auditoria, sobretudo das “Big Four” (conjunto das quatro mais importantes firmas de auditoria globais), que recebem cerca de 7 a 10 mil fichas de inscrição por ano, para selecionar apenas 100 ou 200 trainees que deverão seguir uma das mais seguras e promissoras carreiras que se conhece: a de Auditor.

É notório e eu, infelizmente, tenho que assumir o fato das Ciências Contábeis não possuírem o“Glamour” dos cursos denominados clássicos (Medicina, Engenharia e Direito) ou dos cursos mais evidenciados nas áreas de business como Economia e Administração.

Isso nos torna inferiores, academicamente e profissionalmente, aos demais? A resposta é não!

Se por um lado é pouco conhecido pelos estudantes das outras áreas, o nosso curso encontra merecido reconhecimento no mercado de trabalho. Um campo de atuação absurdamente variado revela uma realidade bem distante da imagem que se tem do “Contador”.

Os conceitos de “guarda-livros”, “escriturador” ou “apurador de impostos” inexistem nos dias de hoje, principalmente após a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis em 2005 e a aprovação da Lei 11.638/07, que nos deu a possibilidade de aproximarmos a contabilidade brasileira às normas internacionais de contabilidade emanadas pelo IASB.

O fato é que existem diversos profissionais que exercem as mesmas atividades que exerciam há vinte anos. E é em função desses que pesquisas pouco fundamentadas mostram o perfil do Contador para os brasileiros: A imagem física de um contador é a de um sujeito idoso, de óculos com lentes verdes e grossas, baixinho, detalhista, rabugento, introspectivo, chato e que vive atolado de burocracia e papel por todos os lados. E ainda, quando perguntadas sobre a função do contador, as pessoas não hesitavam em responder: “Apurar impostos”, “fazer imposto de renda”, “abrir firmas”. Percebeu-se que mesmo os entrevistados destas pesquisas que possuíam familiares contadores, disseram que nossas funções limitavam-se ao tipo fiscal-tributário e às rotinas de trabalho específicas de escritórios de contabilidade. Convenhamos, é muito pouco para uma profissão de tão amplos horizontes!

O profissional de contabilidade tem empregabilidade, praticamente, garantida. Além do mais, os salários destes profissionais tem se mostrado superior aos das diversas carreiras tidas como “clássicas”.

Para se ter uma ideia, com um novo cenário tão promissor, os contabilistas se arriscam a investir em negócios próprios. Hoje, o campo de atuação deste profissional (e eu me incluo nesse campo com absoluto orgulho) abriga em pé de igualdade, o emprego com registro em carteira, em grandes empresas, e a prestação autônoma ou por meio de empresas próprias.

Trabalho não falta. Qualquer empresa, não importa o tamanho ou o setor de atuação, é obrigada por lei a contratar os serviços de um contador.
O contador pode atuar como planejador tributário, analista financeiro, auditor interno, auditor externo, auditor da receita federal, estadual ou municipal, contador de custos, gerencial, público, empresário, controller, diretor financeiro, perito contábil, professor, pesquisador, escritor, dentre dezenas de outras possibilidades.

Pesquisas recentes demonstram que o novo contador brasileiro tem em média de 30 a 35 anos, portanto, jovem, recebe mensalmente entre 3.500 e 5.000 dólares, portanto tem acesso à cultura. Mais alguns dados revelam que 60% dos contadores são empregadores, portanto, empresários e que 79% estão satisfeitos com a carreira escolhida e pretendem continuar nela. 85% possuem casa própria, 90% possuem veículo, 55% possuem outro curso superior e quase 100% dos contadores praticam algum tipo de esporte. Para os padrões nacionais, até que não é um perfil ruim, não é mesmo?

Quanto à grade curricular ofertada nas universidades, alguns insistem, por total desconhecimento, em afirmar que nosso curso é fácil demais e apenas baseada em matérias de cálculo. Mais uma vez, um equívoco. Nossa grade curricular é bem variada. Dentre as principais disciplinas oferecidas pelo curso, estão Direito, Administração, Finanças, Sociologia Econômica, Cálculo (muito superficialmente), Estatística, Jogos de Empresas etc.

Temos um curso amplo. Temos um campo de atuação cada vez mais promissor. Entretanto, diante de tantas qualidades, alguns insistem em rebaixar nossa profissão contábil a uma mera rotina de preencher guias de recolhimento de impostos. Os contadores tornaram-se um dos profissionais mais respeitados dentro das Organizações. Sejam bem-vindos a essa nova realidade. A outra face do contador, enfim, foi descoberta!

Postado dia 26/07/2012 - Fonte: Essência Sobre a Forma


Comentários:


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EDMILSON DIONISIO LIMA

CONTADOR
OSASCO - SP
Membro desde: 05/08/2012
Concordo plenamente com o colega José Marion.
Você, meu caro Ahmed, acertou na mosca ao discorrer sobre a amplitude da nossa atuação e muito feliz em lembrar da riqueza da nossa formação.
Parabéns!

Dia 29/04/2013 às 22:25:04


Ahmed Sameer El Khatib

Professor
São Paulo - SP
Membro desde: 13/08/2012
Obrigado, Professor Marion.
Um grande abraço,
Ahmed

Dia 13/08/2012 às 14:36:49


jose marion

professor
jundiaí - AC
Membro desde: 13/08/2012
Caro Ahmed Sameer El Khatib,
Parabéns pelo artigo. Creio que a categoria deveria falar muito mais sobre o novo perfil do profissional contábil.
Creio que você acertou "na mosca".
Deus te abençoe
marion


Dia 13/08/2012 às 11:37:59

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