COLUNISTAS


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Carlos Meni

• Carlos Meni é diretor presidente da Wolters Kluwer Prosoft;
• Analista de sistemas pela Faculdades Associadas de São Paulo;
• Tem longa carreira na área de tecnologia da informação com foco no segmento de empresas contábeis;
• Palestrante sobre temas ligados ao segmento contábil;
• Participa de congressos e eventos da área contábil e de tecnologia, no Brasil e exterior; É também coach pelo ICI Integrated Coaching Institute.

 


Organização, escritório ou empresa contábil? Com o SPED o debate ganha força no meio contábil.

Por Carlos Meni

Nos últimos 27 anos de relacionamento no segmento de escritórios contábeis, tive a oportunidade de conviver com contabilistas de todo o país. Tenho feito palestras, escrito artigos sobre assuntos da área e, durante todo esse tempo, levei alguns puxões de orelha quando utilizei o termo “escritório contábil”; chamam-me a atenção dizendo: não é escritório, é “empresa contábil”.

Mas, afinal, escritórios de contabilidade são empresas? Essa é uma pergunta com diferentes respostas, dependendo para quem seja feita. Alguns afirmarão, com veemência, que um escritório de contabilidade é uma empresa, que é impossível ser de outra forma e, portanto, deve ser efetivamente gerenciado como tal. Outros dirão, com o mesmo ímpeto, que escritórios não são empresas e que essa ideia é absurda e, de certo modo, contrária ao Código de Ética.

Os demais, talvez, se dividam entre aqueles que estão entre o sim e o não, e aqueles que não fazem a menor ideia de como responder. Os divididos entendem que escritórios são empresas, mas ainda estão engatinhando na adoção de práticas administrativas e, muitas vezes, evitam usar o termo “empresa” ou mesmo se aceitar como tal. Já os que não sabem o que responder, muito provavelmente, a maioria congrega e eles permanecem totalmente alheios à dinâmica do mercado em que escolheram atuar. E você, como responderia a essa pergunta?

Na visão prática, com as mudanças que vêm ocorrendo gradativamente no mercado contábil, algumas considerações são importantes para se iniciar o debate sobre o tema. Com o advento do SPED, hoje nenhum escritório contábil, seja ele pequeno ou grande, consegue sobreviver se não adotar um caráter operacional eminentemente empresarial. Outra questão diz respeito ao fato de que alguns escritórios cresceram tanto que praticamente se transformaram em empresas. 

Com as oportunidades de crescimento expressivo de receitas geradas pela valorização dos serviços contábeis, hoje o segmento passa a ser olhado de forma muito mais empresarial. Alguns contadores, sócios de grandes escritórios, entendem que é necessário profissionalizar a administração para manter um crescimento sustentável.

Para o contador Marcio Shimomoto, da King Contabilidade, fiscalmente falando, a maioria das empresas está enquadrada num regime conhecido como SUP (Sociedades de Uni Profissionais), isto é, pagamos o ISS por profissional e não sobre o faturamento. É um benefício fiscal que os profissionais liberais têm, considerando a característica de nossa atividade. Para o benefício não podemos ter outros profissionais na sociedade e a responsabilidade técnica dos trabalhos realizados deve ser dos sócios.

Nesse sentido, o CFC (a pedido do SESCON-SP e CRC-SP) procedeu algumas alterações para aproximar as sociedades de contadores da lei que rege as sociedades de advogados. As empresas de contabilidade, no meu entender e no do SMJ, devem, sim, ser administradas como empresas. É uma questão de profissionalização da nossa atividade e até mesmo uma garantia de sobrevivência das empresas. 

Muitas empresas estão entrando na fase de sucessão. Se não cuidarmos para que desvinculemos a pessoa física dos fundadores junto aos clientes, fazendo com que enxerguem o escritório de contabilidade como empresa, pois tudo é um sistema interdependente, corremos o risco de, na falta dos sócios fundadores, a empresa contábil vir a perecer. 

Mas somos uma empresa diferente das demais. Temos uma administração empresarial com responsabilidade pessoal dos sócios. Hoje, nenhum escritório contábil, seja ele pequeno ou grande, consegue sobreviver se não adotar um caráter operacional eminentemente empresarial. Para poder gerenciar essa organização, o profissional do escritório contábil tem que se comportar como se fosse uma empresa, com todo o profissionalismo. 

Os escritórios no Brasil, por mais que cresçam, jamais se tornarão uma empresa, porque a responsabilidade do contador em uma sociedade é pessoal. Se, por acaso, algum profissional do escritório contábil pratica um ato que causa um prejuízo a seu cliente, ele responde pessoalmente por aquilo. É esse aspecto que impede que se possa considerar uma sociedade de contadores como uma empresa. 

Para o contador Carlos José de Lima Castro, do Escritório Anchieta, o escritório contábil é o profissional “solo” que começou a empregar auxiliares para poder desenvolver a demanda dos seus serviços que começaram a expandir. A empresa contábil, que para mim, é a organização contábil, é uma sociedade prestadora de serviços, notoriamente contábeis, que precisa ser administrada como EMPRESA e com muito profissionalismo. Inclusive, investindo em marketing, mesmo a contra gosto dos conselhos profissionais. Por uma questão de marketing e nome, as organizações contábeis mais antigas não devem abandonar a expressão “escritório contábil” de sua razão social, repentinamente, mas devem, sim, aos poucos, ir migrando para organizações contábeis xyz, ou, a exemplo das sociedades de advogados, utilizar o nome do sócio majoritário, ou sócios executivos. Na era pós SPED, eu adotaria a expressão “contadores associados”.

Com tantas respostas diferentes, é possível eleger apenas uma como válida? Sim. E ela independe da minha ou da sua opinião. A resposta correta nos é dada pelo mercado, mais especificamente, pelo cliente, e ela nos diz que escritórios são empresas, gostem ou não. Esse é um passo primordial para que os escritórios compreendam a sua inserção no mercado e adotem a administração estratégica e o marketing jurídico, que visam o crescimento e a uma clientela plenamente satisfeita. Sob o ponto de certos aspectos, é uma questão de sobrevivência, essencial para quem atua em um mercado exigente e altamente competitivo.

A atuação de um escritório como empresa é uma consequência natural de lidar com empresas no dia a dia, sejam elas concorrentes, fornecedoras ou, principalmente, clientes. É o que chamo de espelhamento empresarial. As empresas atuam em um mercado extremamente competitivo, cada vez mais globalizado, e sofrem pressões de todos os tipos para aumentar o faturamento, reduzir os custos e ampliar os lucros, resultando, idealmente, em uma operação eficiente.

Nesse contexto, as empresas-clientes passaram a exigir mais de seus escritórios. Elas querem ser atendidas por um escritório que preze pela mesma eficiência que elas. Somente com uma mentalidade empresarial é que os escritórios triunfarão nessa nova realidade que, na verdade, já não é tão nova assim.

A operação de um escritório, independente de seu porte, é como a de uma empresa de porte similar. É claro que empresas de grande porte contam com facilidades que as menores não têm. Mas a questão é que os escritórios são negócios que precisam ser administrados com eficiência para que se desenvolvam da melhor maneira possível, criando relacionamentos duradouros com clientes satisfeitos e faturando o suficiente para cobrir suas operações e remunerar seus funcionários e sócios.

Para o técnico de contabilidade Donizetti P. Ferreira, da ContabilNet Contabilidade e Consultoriahoje, até a Receita Federal considera o escritório contábil como empresa, visto que são tributadas como tal. Quanto à responsabilidade pessoal do contador, a mesma coisa acontece em uma construtora, onde o engenheiro responde caso o prédio venha a cair ou ter problema de estrutura. E isto, não impede que ela seja uma empresa. 

Precisamos mudar a cultura dos dirigentes do CRC. O escritório de contabilidade passou a ser um negócio, precisa ser uma empresa e pode ter sócio leigo, até para efeito de sucessão (herdeiros). Hoje, minha filha estuda arquitetura. Para quem vou deixar minha empresa? Acaba? Por que não transformar o escritório contábil em empresa e conseguir investidores no mercado, como CREA, CRECI, e outros conselhos exigem pelo menos um sócio com registro e responsável pelos trabalhos. Até um hospital que cuida de pessoas (vidas) pode ter sócios leigos, mas lógico, que tenha um responsável profissional.

Apesar de todos os desafios, é nesse contexto atual que o marketing contábil está inserido e certamente triunfará, pois ele talvez seja o melhor exemplo de como os escritórios estão começando a evoluir, e tornando-se operacionalmente eficientes como as empresas de sucesso que atendem. 

Nesse sentido, é essencial que os escritórios se aceitem, e se vejam, como as empresas que, na prática, já são.

Postado dia 07/07/2012 - Fonte: Essência Sobre a Forma


Comentários:


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Ronnie de Sousa

Profissional de Contabilidade
São Paulo - SP
Membro desde: 03/04/2012
Escritório contábil é uma empresa, uma organização contábil, uma sociedade prestadora de serviços e deve ser tratada como tal, afinal o próprio fisco o trata assim.

Dia 16/07/2012 às 20:53:09


Tatinha Reis

contadora
Eunápolis - BA
Membro desde: 20/06/2012
Engraçado que o CRC me cobra anuidade pela pessoa física, e pelo escritório (Nº crc distinto da pessoa física), mesmo ele sem cadastro no CNPJ. Que tipo de entidade é o escritório não sei. Já questionei, mas não fui esclarecida. Esse artigo mostra claramente a confusão que anda nosso setor profissional.
Parabéns pelo artigo !!

Dia 09/07/2012 às 21:51:49

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