COLUNISTAS


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Ailton Fernando de Souza

● Bacharel em Ciências Contábeis pela Unipaulistana;
● Pós-graduado em Gestão Estratégica do Terceiro Setor pela UNIFMU;
● Ex-professor do curso Técnico em Contabilidade do SENAC;
● Exerce cargo de Gestão e Gerência de Contabilidade ;
● Autor e coordenador do livro Contabilidade na Prática (Editora Trevisan,2014);
● Autor do artigo científico Governança Corporativa em Entidades do Terceiro Setor, publicado pela Revista Direito do Terceiro Setor (Editora Fórum,Dez/2013);

 


Pode piorar?

Por Ailton Fernando de Souza

 

Em tempos de crise, de recessão, de inflação, de ausência de crédito e baixo consumo, uma das primeiras orientações, tanto de especialistas, economistas, administradores, empresários e curiosos, é a redução de custos; o corte do que é desnecessário, redução daquilo que é necessário a níveis que respeitem o orçamento.

Ocorre que a interpretação desse conselho, dessa sugestão muitas vezes é distorcida. Em momentos de dificuldades, especialmente financeiras, quando o empresário sente-se próximo ao “fundo do poço”, existe uma tendência a imagina que “pior do que está não pode ficar”, mas o pior é que pode sim.

Um empresário sem informações, sem dados que possam lhe ajudar a planejar, projetar ou buscar alternativas é um túnel sem luz no fundo, é o fundo do poço. Muitos empresários, na ânsia e necessidade de cortar custos, acaba dispensando profissionais ou ferramentas essenciais e necessárias, mesmo em períodos de crises absolutas. A falta de controle, de processos e de profissionais que possam e saibam aplicar e interpretar os resultados positivos ou negativos obtidos através dos agentes de controladoria podem antecipar e agravar ainda mais qualquer situação negativa.

Embora quando o empresário admita que está em uma situação de crise o maior problema seja o recurso(a falta ou escassez de)não pode abrir mão do controle dos fatos e processos, pois somente com a informação é que poderá planejar seus próximos passos, e muitas vezes há um envolvimento emocional, pessoal a respeito da companhia, dos produtos, do pessoal que impedem o empresário de fazer um julgamento racional, o que torna ainda mais importante a presença, opinião e experiência de uma equipe competente e bem informada, que poderá contribuir para a tomada de decisão com mais “frieza” e racionalidade.

No ponto mais crítico de qualquer estado de depressão econômica, a imensa necessidade de obter recursos, pode fazer com a urgência e necessidade não propiciem as melhores escolhas, onde o empresário pode comprometer ainda mais seu patrimônio com o apelo a instituições com encargos acima do que aqueles cobrados pelo mercado, ou mesmo a agiotagem, cessão de créditos e outras formas, que mesmo em situações drásticas precisam ser planejadas e compartilhadas para a certeza da melhor opção. Até mesmo a descontinuidade de um negócio, produto, venda de um ativo, terceirização de uma atividade depende de fato de um planejamento adequado e dinâmico, de forma que não se dispensam bons profissionais e a utilização de controles e processos internos, ainda que a fase da empresa não seja das melhores.

A escolha pela melhor linha de crédito também é um processo complicadíssimo, posto que a primeira idéia que vem à mente do empresário, após esgotar as reservas e fontes próprias é a busca por bancos, factorings e assemelhados; por vezes assumindo uma postura temerária, o empresário procura não incluir seu patrimônio pessoal como uma alternativa de crédito, como um empréstimo tendo um imóvel seu como garantia, onde os juros seriam infinitamente mais baixos....é lógico que não deve haver confusão entre o patrimônio da pessoa física e jurídica, no entanto, é preciso ponderar a melhor opção e os menores riscos, além da probabilidade de recuperação da crise com essa “injeção” de capital com a taxa de juros a qual será praticada.

Percebe-se que também existe uma grande necessidade de ter um profissional competente ao seu lado e bem valorizado, ainda que a situação não seja a mais apropriada, pois a colaboração e participação desse profissional será fundamental para que a empresa volte a se recuperar do momento ruim.

É uma opinião muito particular e sem indicação, e destinada em geral ao mercado brasileiro, que acabam por ir na contramão quando se veem em momentos de crise: ao invés de buscar opções para se reerguer, adota a conduta do “pior do que está não pode ficar” e acaba sim piorando.

 

Postado dia 04/08/2014 - Fonte: Essência Sobre a Forma

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