COLUNISTAS


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Ailton Fernando de Souza

● Bacharel em Ciências Contábeis pela Unipaulistana;
● Pós-graduado em Gestão Estratégica do Terceiro Setor pela UNIFMU;
● Ex-professor do curso Técnico em Contabilidade do SENAC;
● Exerce cargo de Gestão e Gerência de Contabilidade ;
● Autor e coordenador do livro Contabilidade na Prática (Editora Trevisan,2014);
● Autor do artigo científico Governança Corporativa em Entidades do Terceiro Setor, publicado pela Revista Direito do Terceiro Setor (Editora Fórum,Dez/2013);

 


A ausência de líderes...

Por Ailton Fernando de Souza

 

O mercado tem sofrido com a ausência de bons profissionais. Anualmente milhares de estudantes são formados e inseridos no mercado de trabalho, no entanto, a grande maioria está despreparada, tanto no sentido técnico, comportamental e psicológico. Na área contábil, os recém formados buscam seu espaço em um seguimento altamente competitivo, onde o dinamismo, a atualização, a pressão e o conhecimento técnico são requisitos básicos, no entanto, não são raros os exemplos de recém formados que se assustam ao se depararem com uma situação real, onde a teoria tem que ser colocada em prática.

Em minha última palestra no CRC tratei desse assunto, o que gerou uma boa discussão entre os participantes, que poderíamos elaborar um relatório exaustivo com motivos, causas, consequências e sugestões para amenizar a situação, mas todos concordamos que trata-se de uma questão de educação e política, mas não me atrevo a discutir sobre o último (política), porque para esse tempo não basta um texto de coluna, é preciso um debate sério, longo, com mais partes.

A falta de bons profissionais está gerando um outro problema (ou uma grave consequência do mesmo problema): a ausência de líderes. O Brasil é um país, que tem por cultura, seguir exemplos, e além da questão cultural, o mercado precisa, carece de líderes. Carece de profissionais revestidos de nível técnico, bom senso, capaz de fazer julgamento com justiça, bom senso, senso de prioridade, incentivador, de bom relacionamento e poder de influência. O líder é aquele que assume a responsabilidade, motiva, “veste a camisa” e traz a equipe contigo.

A nova geração (“X “, “Y”, “Z”, etc..), totalmente plugada, tecnológica e capaz de fazer várias coisas ao mesmo tempo, ansiosa pelo novo, ainda não tem número suficiente de líderes para atender a demanda do mercado, porque, ao contrário do que alguns que lerem podem pensar, estou convicto de que não necessariamente um líder é questão de genética.

Acredito que líderes podem ser desenvolvidos, de acordo com a experiência, conhecimento, relações humanas e outras qualidades que são adquiridas/provocadas ao longo da carreira profissional, mas não basta apenas o acaso, é preciso que o mercado participe desse processo de formação, o que era comum apenas às grandes corporações, deve passar a ser prática também para as médias empresas: a formação de profissionais, sobretudo de líderes, gestores.

A independência, ou a sensação de independência experimentada pelos jovens inseridos no mercado de trabalho facilita a “extinção” dos líderes, posto que boa parte desses jovens não absorvem, por falta de tempo ou interesse, a cultura, conhecimento, o histórico da entidade, tão necessário para a continuidade da mesma e de seus negócios. Grandes empresários, por falta de opção, acabam por confiar grandes negócios e cargos estratégicos a profissionais com carreira ainda pequena, trazendo para esses, grande pressão e carga de responsabilidade que podem até culminar com uma interrupção da continuidade da vida profissional na entidade.

É preciso uma reflexão mais ampla, e conscientização, especialmente por parte dos empresários, que de fato, as relações humanas, profissionais e psicológicas evoluíram, e há necessidade de ajuda especializada, porque a demanda aumentou, e a natureza “diminuiu sua quota de fabricação de líderes”.

 

Postado dia 21/07/2014 - Fonte: Essência Sobre a Forma

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