COLUNISTAS


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Tom Coelho

• Formado em Publicidade pela ESPM;
• Formado em Economia pela USP;
• Especialização em Marketing e em Qualidade de Vida no Trabalho;
• Mestre em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente;
• Foi executivo, empresário, secretário geral do IQB/ INMETRO;
• Foi diretor do Simb/Abrinq e VP da AAPSA;
• Atualmente é professor em cursos de pós-graduação;
Conferencista e escritor com artigos publicados por mais de 800 veículos da mídia em 17 países, além de diretor da Lyrix Desenvolvimento Humano e do NJE/CIESP;
• É autor dos livros “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento”, “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” e coautor de outras cinco obras. Site: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

 


A Lei de Felipe

Por Tom Coelho

 

“O Brasil é uma nação de espertos que,

reunidos, formam uma multidão de idiotas.”

(Gilberto Dimenstein)

 

Já que estamos em ano de Copa do Mundo, vamos resgatar o tricampeonato do Brasil, conquistado em 1970. Na ocasião, além de Pelé, outros personagens ficaram consagrados, entre eles Gérson, chamado de “canhotinha de ouro” em virtude de sua habilidade singular em fazer lançamentos precisos de mais de quarenta metros de distância, dando assistências a seus companheiros.

Em 1976, Gérson protagonizou uma campanha publicitária histórica para a marca de cigarros Vila Rica, de propriedade da J. Reynolds, na qual, após desfilar os diferenciais do produto, decretava: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também”. Assim nasceu a “Lei de Gérson”, que passou a designar a natureza utilitarista e pouco ética do brasileiro. Este princípio marcou por cerca de três décadas a personalidade de toda uma nação, tatuando na identidade tupiniquim a alcunha de “país do jeitinho”.

Vamos dar um salto no tempo para 2014. No dia 13 de abril, o Flamengo disputava a final do campeonato carioca contra o Vasco da Gama. O time rubro-negro jogava por um empate, mas perdia a partida até os 45 minutos do segundo tempo, quando igualou o placar com um gol irregular, em posição de impedimento, validado pelo árbitro e seus bandeirinhas. Não houve tempo para reação do adversário e o Flamengo levantou a taça para delírio de sua torcida.

Ao término do jogo, o goleiro campeão, Felipe, debochou da equipe rival: “Estava impedido, né? Roubado é mais gostoso!”.

Um procurador denunciou Felipe nos artigos 258 (assumir conduta contrária à disciplina esportiva), 243-D (incitar publicamente o ódio ou a violência) e 243-F (ofender alguém em sua honra) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Contudo, o atleta foi lamentavelmente absolvido.

Perdeu-se, assim, uma oportunidade ímpar de se inaugurar, talvez, uma nova fase na cultura ética deste país. Afinal, se o Brasil é o país do futebol, seria exemplar começar pelos gramados a se difundir a mensagem de que existe o certo e o errado, e que o certo deve prevalecer. Felipe poderia ter sido suspenso de suas atividades por até 720 dias. Ainda que a pena fosse inferior a isso, seria um indicativo de que não estamos em um país sem lei e sem escrúpulos, onde a lei é uma mera formalidade num pedaço de papel.

Felipe representa não apenas a malandragem dos boleiros. Ele simboliza as falcatruas que se perpetuam pelo poder público, os favorecimentos típicos do ambiente político, as propinas que circulam em empresas privadas. Felipe é o carro que invade o acostamento, o motorista que inadvertidamente estaciona em vagas destinadas a idosos ou pessoas com deficiência, o espertinho que fura fila no ponto de ônibus.

Um procurador ingressou com recurso contra a decisão. Caso seja mantida a absolvição, fica decretada a promulgação da “Lei de Felipe”, segundo a qual, mais do que levar vantagem, o bom mesmo é obtê-la da maneira mas torpe possível: a partir do roubo.

 

Visite: www.tomcoelho.com.br

 

Postado dia 19/06/2014 - Fonte: Essência Sobre a Forma


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