COLUNISTAS


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Ahmed Sameer El Khatib

• Bacharel em Ciências Contábeis pela FEA-USP (2007).
• MBA em Finanças pela FIA (2009).
• MBA em IFRS pela FIPECAFI (2013).
• Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais pela PUC-SP (2013).
• Atualmente é Doutorando em Administração de Empresas na PUC-SP.
• Possui mais de dez anos de experiência na área contábil.

 


Finanças islâmicas: uma alternativa às finanças convencionais?

Por Ahmed Sameer El Khatib

 

O Mundo Islâmico foi responsável por importantes contribuições nos campos da matemática, astronomia, engenharia, física, química, botânica, economia, direito, medicina e, também, das finanças.

As finanças islâmicas têm despertado interesse do Ocidente desde a década de 1970, em função do seu forte crescimento anual, fruto da modernização dos sistemas bancários islâmicos, que não deixaram de ser baseados em princípios estabelecidos no Alcorão há mais de 1400 anos.

De acordo com o Islamic Financial Services Board – IFSB (2009) e o International Monetary Found – IMF (2010), as Instituições Financeiras Islâmicas praticamente ficaram ilesas a última crise mundial de 2008, em função da sua postura de transparência junto aos usuários das informações financeiras, bem como por conta da proibição de atividades especulativas em suas operações. Além de não sofrerem impactos significativos, as IFI apresentaram nos anos que se seguiram um crescimento médio de 12%, conforme divulgado pela Standard & Poor’s no ano de 2013, que aponta Estados Unidos, Rússia, Índia, Austrália como futuros polos globais de finanças islâmicas.

Adicionalmente, estudos realizados anualmente pela Ernst & Young, o mais recente em 2013, aponta um que os ativos financeiros islâmicos ultrapassarão os US$ 2 trilhões em 2014, números que crescem anualmente, mesmo em momentos de crise, como no caso da crise financeira mundial de 2008, em que os ativos financeiros islâmicos mantiveram um crescimento médio de 12%.

Os princípios fundamentais das finanças islâmicas são mencionados por estudiosos islâmicos e não islâmicos ao redor do mundo em centros de estudo ou universidades ocidentais. Podemos sintetizar os princípios gerais das finanças islâmicas nos seguintes pontos:

Dessa forma, um islâmico investe no negócio de um agricultor, por exemplo,  repartindo com ele os benefícios. Ele não concede um empréstimo em que se limita a receber juros, sem participar no negócio e envolve-se no investimento, como se se tratasse da própria empresa. Em circunstâncias excepcionais são permitidos juros quando existem ativos físicos cuja construção ou negociação produzir lucros. As obrigações islâmicas lastreadas por ativos físicos recebem o nome de sukuks. De fato, o singular desta palavra está na origem da palavra "cheque", tão utilizada no mundo ocidental. Dito de outra forma: no mundo árabe, o dinheiro não produz dinheiro, apenas riqueza e o bem-estar da sociedade.

O investimento na indústria transformadora de produtos proibidos (haram), como o tabaco, o álcool, armas de fogo, os alimentos derivados de porco, os casinos, hotéis, entretenimento de adultos, etc. está vedado. Isto restringe em grande medida os investimentos dos sukuks. Por outro lado, não são permitidos a especulação e o jogo (maisir), incluindo a negociação (trading) especulativa e a troca de dívida por dinheiro (sem transferência de ativos tangíveis). Como é evidente, e para ser consistente com os princípios anteriores, a incerteza evitável (ghara) ocasionada pelos instrumentos derivativos não é bem-vinda neste contexto.

Finalmente, a negociação de dívida só é permitida ao preço nominal a que a mesma foi emitida e nunca ao valor de mercado (mark-to-market). Se olharmos para a crise do subprime, veremos que esta foi causada em grande parte por princípios que o mundo islâmico considera inaceitáveis, tais como a alavancagem desmedida, a especulação, os derivativos e os efeitos negativos das valorizações de mercado nos balanços das instituições.

De acordo com os princípios do Shariah (Lei Islâmica), desenvolveu-se uma respeitável indústria financeira de investimento com operações tão sofisticadas como contratos de leasing (ijara), gestão de carteiras (mudaraba), alianças (musharaka), compra de activos a prazo (murabaha) e project finance (lstisnaa).

A sabedoria islâmica nos fornece uma lição de humildade. Os seus princípios orientadores nunca aceitariam as práticas que deram origem à crise do subprime em 2008 e 2009

Em resumo, deveríamos acreditar mais na indústria real e especular menos, fazendo das finanças islâmicas, quem sabe num futuro próximo, uma alternativa às finanças convencionais.

 

Postado dia 04/04/2014 - Fonte: Essência Sobre a Forma


Comentários:


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Alciney Frota

Economista
Porto Velho - RO
Membro desde: 31/01/2014
Parabens professor pela dedicação e presteza e muito obrigado, pois com suas correções e comentários me ajudou bastante a conseguir pontos suficientes para ser aprovado no exame de suficiência de 2014.

Ney Frota

Dia 10/04/2014 às 17:17:48

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