COLUNISTAS


Facebook Twitter Linkedin
Ailton Fernando de Souza

● Bacharel em Ciências Contábeis pela Unipaulistana;
● Pós-graduado em Gestão Estratégica do Terceiro Setor pela UNIFMU;
● Ex-professor do curso Técnico em Contabilidade do SENAC;
● Exerce cargo de Gestão e Gerência de Contabilidade ;
● Autor e coordenador do livro Contabilidade na Prática (Editora Trevisan,2014);
● Autor do artigo científico Governança Corporativa em Entidades do Terceiro Setor, publicado pela Revista Direito do Terceiro Setor (Editora Fórum,Dez/2013);

 


Preparando os Futuros Empresários

Por Ailton Fernando de Souza

 

Alguns poderão achar até uma idéia descabida, mas estamos chegando a um nível tão grande de burocracia, obrigações e prestação de contas, que estou convencido da necessidade de uma significativa alteração na  legislação  empresarial, especialmente no que diz respeito à constituição de novas empresas.

É fato que em até 02 anos de existência praticamente 50% das empresas simplesmente param de operar, por cancelamento, endividamento, falta de mercado, de estrutura, ou seja, falta de recursos que lhe garantam a existência.

Empreendedores movidos pela grande paixão por seus ofícios e atividades os quais executam com maestria acabam aventurando-se no meio empresarial, em busca de satisfação pessoal, independência financeira e profissional, e o sonho de “ter o seu próprio negócio”. Esses mesmos empreendedores se surpreendem com a demanda de obrigações as quais as empresas são obrigadas a cumprir, bem como com a selvageria que o mercado ataca as pequenas e médias empresas.

É preciso mais qualificação para o empreendedor/empresário, mais esclarecimentos, mais alertas, para verificar se de fato esse empreendedor está certo da decisão de montar seu negócio e ainda se está preparado para ser inserido na sociedade, no mercado.

O SEBRAE e outros órgãos dedicam-se com precisão e competência a essa tarefa, no entanto, não atinge a grande maioria dos novos empresários que se lançam anualmente ao mercado. A capacitação deve ir além da questão administrativa, financeira e marketing; é preciso que o novo empresário tenha conhecimento de quais obrigações fiscais/tributárias a empresa está sujeita (não que ele deve saber exatamente como fazer, porque essa será a tarefa do contador), para que tenha consciência também das penalidades e sanções que poderá incorrer caso não apresente, apresente em atraso ou incorretamente.

Penso em algo como uma norma, que crie um mecanismo que possa atestar a capacidade de gestão de uma empresa, pelo seu sócio, como critério para registro do contrato/estatuto, algo como um curso de capacitação para àqueles sem especialização.

Muitos podem me criticar e de fato achar a idéia um tanto absurda ou preconceituosa, mas essa ação daria ao novo futuro empresário uma visão do que o aguarda e poderia evitar muitos transtornos e problemas, que são gerados quando as dificuldades chegam, o fato é que trata-se de um problema social, e sim, cabe também ao governo cuja função é garantir o perfeito equilíbrio da sociedade criar ferramentas que não permitam o homicídio/suicídio de pequenas empresas com até dois anos de existência, por falta de conhecimento, planejamento e noções administrativa/tributária por parte dos sócios/titulares. Ocorre que são tão pequenas e têm um orçamento tão estreito que não têm condições de contratar empresas ou profissionais que possam dar essa estrutura.

A Revista “Pequenas Empresas Grandes Negócios” por algumas vezes divulgou reportagens colhidas através de pesquisas que deixam claro a condição a qual trata esse artigo, como nos trechos selecionados abaixo:

 

“As pequenas e médias empresas têm inúmeras dificuldades para se estabelecer nos seus primeiros anos de vida. Sofrem por não conhecer direito o setor, por não saber lidar com clientes ou por não dominar aspectos financeiros básicos para gerir seu caixa. Um grupo de pesquisadores do Ibmec São Paulo e do Sebrae São Paulo estudou quase 2 mil empresas abertas e registradas na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) entre os anos de 1999 e 2003, em busca de evidências dos principais motivos que justificam a alta mortalidade das empresas nascentes - e as características comuns das empresas que sobrevivem a este período mais crítico. A seguir, as principais conclusões do estudo.”(1)

 

É comum aos empresários delegar ao contador tudo aquilo o que não entende ou domina, mas ele sequer sabe exatamente o papel do contador, o que cria um outro imbróglio, pois o profissional de contabilidade com sua função de orientar e registrar corretamente os atos/fatos administrativos acaba por fazer também a função de gestor, não sendo remunerado por tal e se responsabilizando de forma equivocada, até o momento em que mais nada pode fazer, em função de sua condição e ética.

Ainda, a Revista “Pequenas Empresas Grandes Negócios” trata da questão do conhecimento:

 

“A probabilidade de um empreendedor que possui pelo menos o segundo grau encerrar as atividades é significativamente menor do que aquele que possui até o primeiro grau de escolaridade. No entanto, parece não haver grande diferença na chance de fechamento do negócio de um empreendedor que possui o nível superior ou apenas o segundo grau. Apesar de parecer uma contradição ao senso comum, isso é justificado pelo fato de que o estudo contemplou o escopo de sobrevivência de pequenas empresas e não, necessariamente, o seu sucesso. É possível imaginar que, para ser bem-sucedida, a empresa precise crescer, e, para isso, uma formação superior seja necessária”(1).

 

(1) Pesquisado em 25/01/2014 em http://revistapegn.globo.com/Revista/Common/0,,EMI81786-17162,00-POR+QUE+AS+EMPRESAS+FECHAM.html

 

Postado dia 25/01/2014 - Fonte: Essência Sobre a Forma

Visitantes: 2366