COLUNISTAS


Facebook Twitter Linkedin
Theodoro Versolato Júnior

• Contador, com especialização em contabilidade internacional pela Trevisan Escola de Negócios e contabilidade gerencial pela Universidade São Caetano do Sul.
• Participação em seminários financeiros internacionais em Roma, Copenhagen, Suécia, Argentina e São Paulo.
• Larga experiência em Contabilidade Internacional, Planejamento Financeiro (Budget and Business Plan) e coordenação de Projetos para implantação do novo plano de contas e administração por unidade de negócio adquirida por mais de trinta anos de experiência na Scania Latin América Ltda.
• Experiência internacional em filiais da América Latina (Chile, México e Argentina) para acompanhamento de fechamentos mensais e orientação para demonstrações financeiras.

 


Conheça e controle sua empresa através da análise do Cash Flow

Por Theodoro Versolato Júnior

 

Para entender melhor o Cash Flow precisamos entender a sua origem: Demonstração do Resultado e Balanço Patrimonial. O Cash Flow é a Demonstração da Origem e Aplicação dos Recursos da Empresa.
O Resultado da Empresa é a Origem dos recursos.
A movimentação do Balanço Patrimonial (Saldo final x Saldo inicial) mostra onde os recursos foram aplicados. Concluindo com a movimentação do Caixa no período.

Conforme o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, na edição do Pronunciamento técnico CPC 03, segue abaixo o objetivo, benefícios, definições e divulgação da Demonstração do Fluxo de Caixa:
Objetivo: As informações dos fluxos de caixa de uma entidade são úteis para proporcionar aos usuários das demonstrações contábeis uma base para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como suas necessidades de liquidez. As decisões econômicas que são tomadas pelos usuários exigem avaliação da capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como da época e do grau de segurança de geração de tais recursos.
Benefícios das Informações dos Fluxos de Caixa: A demonstração dos fluxos de caixa, quando usada em conjunto com as demais demonstrações contábeis, proporciona informações que habilitam os usuários a avaliar as mudanças nos ativos líquidos de uma entidade, sua estrutura financeira (inclusive sua liquidez e solvência) e sua capacidade para alterar os valores e prazos dos fluxos de caixa, a fim de adaptá-los às mudanças nas circunstâncias e oportunidades.
As informações sobre os fluxos de caixa são úteis para avaliar a capacidade de a entidade gerar recursos dessa natureza e possibilitam aos usuários desenvolver modelos para avaliar e comparar o valor presente de futuros fluxos de caixa de diferentes entidades.
A demonstração dos fluxos de caixa também melhora a comparabilidade dos relatórios de desempenho operacional para diferentes entidades porque reduz os efeitos decorrentes do uso de diferentes tratamentos contábeis para as mesmas transações e eventos.
Informações históricas dos fluxos de caixa são freqüentemente usadas como indicador do valor, época e grau de segurança dos fluxos de caixa futuros. Também são úteis para verificar a exatidão das avaliações feitas, no passado, dos fluxos de caixa futuros, assim como para examinar a relação entre a lucratividade e os fluxos de caixa líquidos e o impacto de variações de preços.
Definições: Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento, com os significados abaixo especificados:
Caixa: Compreende numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis.
Equivalentes de caixa: são aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em um montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor.
Fluxos de caixa: são as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa.
Atividades operacionais: são as principais atividades geradoras de receita da entidade e outras atividades diferentes das de investimento e de financiamento.
Atividades de investimento: são as referentes à aquisição e à venda de ativos de longo prazo e de outros investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa.
Atividades de financiamento: são aquelas que resultam em mudanças no tamanho e na composição do capital próprio e no endividamento da entidade, não classificadas como atividade operacional.
Divulgação de Fluxos de Caixa das Atividades Operacionais: A entidade deve divulgar os fluxos de caixa das atividades operacionais, usando:
(a) o método direto, segundo o qual as principais classes de recebimentos brutos e pagamentos brutos são divulgados; ou
(b) o método indireto, segundo o qual o lucro líquido ou prejuízo é ajustado pelos efeitos:
(i) das transações que não envolvem caixa;
(ii) de quaisquer deferimentos ou outras apropriações por competência sobre recebimentos ou pagamentos operacionais passados ou futuros; e
(iii) de itens de receita ou despesa associados com fluxos de caixa das atividades de investimento ou de financiamento.

Vamos iniciar comentando e analisando o Resultado, Balanço, Cash Flow e um conceito que não é muito utilizado no Brasil: o CCC (Cash Conversion Cycle) que mede a quantidade de dias que o dinheiro leva para retornar ao Caixa. Para isto, segue abaixo as Demonstrações Financeiras: Demonstração do Resultado, Balanço Patrimonial, Demonstração do Fluxo de Caixa (Cash Flow) e Demonstração do Cálculo do CCC (Cash Conversion Cycle).
Segue abaixo o resultado desta empresa (demonstrativo abaixo). 

Verificando o resultado dos anos de 2008, 2009 e 2010, a empresa aumentou suas margens (Lucro Bruto) e aumentou consideravelmente o Resultado Operacional (EBIT). 
Dá para perceber que o Gestor se preocupou bastante com o resultado, tomou as medidas necessárias e deu certo: O EBIT em 2008 esta em 3,8% e em 2010 já atingiu a marca de 18,8%. É uma performance incrível. A gestão foi eficiente neste aspecto.
Não podemos analisar uma empresa somente pelo resultado. Temos que analisar o Balanço e principalmente o Demonstrativo de Fluxo de Caixa (Cash Flow).
Segue abaixo o demonstrativo do Balanço Patrimonial:

Ao analisarmos o Balanço Patrimonial já podemos observar alguns pontos que devem ser analisados mais detalhadamente:
Comparando o ano de 2010 com 2008.
O Caixa reduziu 33%
Contas a Receber aumentou 173%
Estoque também aumentou 138%
Os empréstimos aumentaram 47%
Os adiantamentos de Clientes comprometem 19% da receita (870,0/4.500,0)
Mas estas observações rápidas precisam ser mais conclusivas, portanto vamos analisar o Demonstrativo do Fluxo de Caixa (Cash Flow).

 

É preciso analisar o Cash Flow pela ótica do Caixa.
Os valores que aparecem com sinal positivo ( + ) significam aumento do Caixa e conseqüentemente os valores que aparecem com sinal negativo ( - ) significam redução do caixa.
A análise do Cash Flow deve ser feita mensalmente, pois são indicadores onde o gestor deve atuar para corrigir as distorções.
No Demonstrativo do Cash Flow referente ao ano de 2010 acima coloquei ao lado de cada valor um número de referência onde irei comentar minhas conclusões como segue:

  1. Resultado Operacional (EBIT) – Indica o quanto o resultado operacional contribuiu positivamente para o Cash Flow como origem dos recursos.
  2. Depreciação – aqui aparece com sinal positivo para reverter o valor negativo que está incluído no resultado operacional uma vez que a depreciação não faz parte do Cash Flow
  3. Provisões: São as provisões previstas no IFRS que não revertem em Caixa.  Aparecem com sinal positivo para reverter o mesmo valor que está incluído no Resultado Operacional (EBIT).
  4. Total das Operações: É o resultado das operações que geram Caixa.
  5. Receitas Financeiras: Receitas financeiras que geraram Caixa
  6. Despesas Financeiras: Despesas financeiras que afetaram o Caixa negativamente.
  7. Provisão para Imposto de renda no resultado: Enquanto provisão não afeta o Caixa. O efeito no Caixa é o resultado desta linha (Provisão) menos o valor da linha 14 – Provisão para Imposto de Renda que está no Passivo.
  8. Contas a Receber: Neste caso aparece com sinal negativo, pois está afetando negativamente o Caixa. Este ponto é muito importante observar o quanto deixou de entrar no Caixa. Significa que as Contas a Receber aumentaram 720 milhões em 2010 quando comparado com 2009. É preciso muita atenção neste item. Se as Contas a receber não são bem administradas, a conseqüência é o aumento de empréstimos, como se pode observar no item 12. É preciso analisar mais profundamente fazendo o seguinte cálculo: Giro de contas a receber = (Vendas em 12 meses/Contas a Receber)

Significa quantas vezes o Contas a Receber está girando.

 

Vejam o cálculo abaixo:

 

No ano de 2010 as Contas a Receber giraram 3,0 vezes, ou seja, um prazo médio de 122 dias.
A quantidade de dias no Contas A Receber é relativo, pois depende de cada empresa. Neste caso, pelo demonstrativo do Cash Flow podemos observar que esta política de prazo em contas a receber está afetando negativamente o Caixa da Empresa. O gestor optou pelos empréstimos e adiantamento de clientes para financiar as contas a receber. Neste caso podemos observar que os juros sobre empréstimos estão alocados no resultado operacional. Como o resultado operacional aumentou ao longo dos anos, podemos concluir que foi uma atitude planejada. O importante é saber a correta interpretação dos dados do Balanço e tomar medidas preventivas antes que haja um colapso financeiro na empresa.

  1. Outros ativos: Está com valor negativo, o que significa que houve aumento nas contas a receber de outros ativos.
  2. Contas a Receber Longo Prazo: Está com valor negativo, significa que houve aumento nas contas a receber longo prazo.
  3. Estoques: está com sinal negativo, significando um aumento nos estoques de 504 milhões em 2010 quando comparado com 2009. É preciso fazer uma análise mais detalhada para verificar o giro do estoque com o seguinte cálculo:

Giro do Estoque = (Custo de Mercadorias Vendidas de 12 meses/Estoque)
Segue abaixo o cálculo do Giro do Estoque:

 

O Estoque está girando duas vezes ao ano, ou seja, existem 183 dias de produtos no estoque. Este item merece atenção e também depende da política da Empresa. O gestor deve analisar a situação do estoque e administrar da melhor maneira possível. Sempre olhando a empresa como um todo e o quanto este item está afetando o Cash Flow. Deve tomar medidas para não comprometer a estrutura financeira da Empresa.

  1. Empréstimos: Está com valor positivo, o que significa um aumento do endividamento no valor de 426 milhões em 2010 comparando com 2009. Este item está sendo a principal fonte de financiamento da Empresa. Veja o índice de endividamento geral abaixo:


Significa que a Empresa está utilizando 50% de capital de terceiros.
É o tipo de gestão que a Empresa escolheu para alavancar as vendas, tomando empréstimos e aumentando o prazo de Contas a Receber, no exemplo, esta política vem dando resultado, pois mesmo com os juros sobre empréstimos alocados no resultado operacional, o EBIT teve um desenvolvimento positivo ao longo dos anos, porém necessita de acompanhamento constante nos pilares financeiros da Empresa: Contas a Receber, Estoques, Empréstimos, Fornecedores e Adiantamentos de Clientes.

  1. Contas a Pagar Fornecedores: Está com valor negativo, significa que a empresa está reduzindo o prazo para fornecedores em 2010 quando comparado com 2009. Uma alternativa é negociar maior prazo com os fornecedores para compensar a política da Empresa que tem prazos de contas a receber elevado. O aumento do prazo a pagar aos fornecedores seria outra fonte de financiamento da empresa.
  2. Provisão para imposto de renda (Passivo): esta provisão só afetará o Caixa quando houver pagamento.
  3. Adiantamento de Clientes: Está com sinal positivo, aumentando o caixa e sendo uma fonte de financiamento.
  4. Total do Capital de Giro Circulante: é a soma de todos os valores que afetaram o Caixa antes dos investimentos. No caso está afetando negativamente em 688 milhões em 2010 quando comparado com 2009.
  5. Investimentos: aparece com sinal negativo, afetando negativamente o caixa, pois são os investimentos no imobilizado.
  6. Total do Cash Flow Operacional: Total dos valores que afetaram o Caixa, neste caso está afetando o caixa negativamente.
  7. Total do Caixa e Equivalente do caixa: Valor líquido do efeito no Caixa. Este valor deve ser igual ao Total do Cash Flow Operacional.

 

CONCLUSÃO:
Após análise pode-se concluir que a política de gestão da Empresa é utilizar empréstimos bancários e adiantamento de clientes para financiar o capital de giro da empresa.
Os juros sobre empréstimos estão incluídos no resultado operacional, mesmo assim o lucro bruto e o EBIT aumentaram, portanto a política está sendo eficiente.
A Empresa aumentou os prazos das contas a receber para incrementar as vendas (o que é possível notar pelo aumento das vendas ao longo dos anos analisados). 
É preciso uma verificação constante nos itens: Contas a Receber, Estoques, Empréstimos, Fornecedores e adiantamentos de Clientes, pois são itens sensíveis à influências externas e afetam diretamente o Cash Flow da Empresa.

CCC – CASH CONVERSION CYCLE
Vou falar agora sobre um novo conceito de indicador que pode ser utilizado pelas empresas para acompanhar o movimento do caixa.
Trata-se do CCC (Cash Conversion Cycle), ou seja, quanto tempo o dinheiro leva para retornar ao Caixa.
Este indicador é muito utilizado nas Empresas Européias, mas é pouco conhecido no Brasil.
É fácil de aplicar utilizando uma planilha Excel e pode ser verificado mensalmente para acompanhamento. Algumas empresas incluem como Bonus aos seus gerentes para atingir metas de redução da quantidade de dias da movimentação do dinheiro. É indicado para os executivos que são responsáveis pelas Contas a Receber e gestão do estoque.
Estes dois itens (Contas a Receber e Estoque) que afetam diretamente o Caixa são muito sensíveis para uma empresa e devem ser verificados e controlados mensalmente. Existem outros meios para controlar este item, mas o controle do “CCC” é importante, pois é possível ter uma visão bem mais clara da quantidade de dias que o dinheiro está demorando para se converter em Caixa. Dá uma visão mais ampla da Empresa.
Segue abaixo um demonstrativo do cálculo do CCC que você pode adotar em sua Empresa.

 

CONCLUSÃO:
A quantidade de dias que o dinheiro está demorando a se converter em Caixa deve ser analisada em comparação com anos anteriores e com metas pré-estabelecidas. No caso, a quantidade de dias saltou de 33 dias em 2008 para 141 dias em 2010. Esta variação mostra claramente que a política da Empresa é financiar os clientes. 
Se a Empresa optar por colocar como objetivo e bonificação aos seus executivos, por exemplo, uma redução de 10% na quantidade de dias, este controle vai ser muito eficiente além de envolver e comprometer os executivos com a administração da Empresa.

Postado dia 18/04/2012 - Fonte: Essência Sobre a Forma


Comentários:


Clique aqui para comentar este artigo


Theodoro Versolato Junior

Contador
São Paulo - SP
Membro desde: 03/04/2012
Olá Hender, obrigado pelo comentário e incentivo. Continue acessando o site. Sempre com boms artigos
Theodoro

Dia 27/02/2013 às 11:23:07


Hender Mauro Ferraz

Contador
São Bernardo do Campo - SP
Membro desde: 18/02/2013
Grande Theo!
Ótimo artigo, assim podemos de fato conhecer a empresa!

Dia 18/02/2013 às 17:30:55


VINICIUS FERNANDES DOS SANTOS

Analista Fiscal Jr
SAO PAULO - SP
Membro desde: 05/10/2012
Realmente, concordo com a Maria Eva, conte como dois pedidos para um artigo sobre planejamento tributário.

Excelente artigo!

Dia 05/10/2012 às 12:33:08


Maria Eva

Analista Fiscal
São Paulo - SP
Membro desde: 24/06/2012
Theodoro, boa noite
Se estiveres aberto a pedidos gostaria de pedir um artigo sobre planejamento tributario.

Obrigada,
Maria Eva

Dia 26/06/2012 às 20:23:04


Tatinha Reis

contadora
Eunápolis - BA
Membro desde: 20/06/2012
Seu artigo demonstra um grande espelho diante o profissional, ninguém aguentava mais a imagem distorcida que refletia. Agora bons ventos! Maravilhoso este artigo. Parabéns!

Dia 23/06/2012 às 22:25:02

Visitantes: 17186


ankara escort
alanya escort
izmir escort
gaziantep escort
hd porn
porno
bodrum bayan escort