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Ricardo Bertolucci

• Graduação em Engenharia Mecânica – ênfase Projeto e Fabricação – USP;
• Mestrado em Administração – ênfase Gestão Estratégica – UNIMEP, tendo defendido a dissertação “Estudo sobre o Gerenciamento do Risco Corporativo: Proposta de um Modelo”;
• Consultor e instrutor em Lean Seis Sigma, tendo treinado centenas de profissionais como Green Belts, Black Belts, Master Black Belts e Designers for Six Sigma, para empresas de manufatura e serviços, nas mais diversas áreas;
• Ex engenheiro de qualidade da Ford do Brasil;
• Artigos publicados na Revista Extr@ato, Congresso Brasileiro de Contabilidade, CLADEA e ENEGEP;
• Agraciado com o Troféu Cultura Econômica 2009, categoria Melhor Livro de Contabilidade, com o livro “Gerenciamento do Risco Corporativo em Controladoria: ERM – Enterprise Risk Management”, escrito em co-autoria com o Prof. Dr. Clóvis Luiz Padoveze;

 


O uso do FMEA na Gestão do Risco - Parte 1

Por Ricardo Bertolucci

Em nosso último artigo, discutimos o uso da Matriz de Risco como ferramenta de avaliação. Observamos que a simplicidade de aplicação era uma de suas principais qualidades, mas também observamos que a heterogeneidade de critérios a transformava numa técnica com interpretações as mais diversas pelas diferentes organizações. Assim, percebemos também que as escalas qualitativas de Probabilidade e Impacto não guardam uma parametrização uniforme para os aplicadores da ferramenta.

Como alternativa ao uso da Matriz de Risco na avaliação dos fatores de exposição, é possível lançar mão de uma técnica chamada FMEA - Failure Mode & Effect Analysis, desenvolvida na década de 1950, e de vasta aplicação na indústria automotiva. O FMEA é uma ferramenta tradicionalmente utilizada para redução do risco no desenvolvimento de novos produtos e processos. Por suas características peculiares, o FMEA se adéqua muito bem à avaliação dos fatores de risco dentro da metodologia para gerenciamento do risco corporativo. A idéia geral do uso da técnica pode ser resumida pela figura a seguir:

A aplicação tradicional do FMEA se baseia em uma sequência com as seguintes perguntas, que pode ser adaptada ao Gerenciamento do Risco Corporativo conforme a tabela a seguir:

Com base nas informações da tabela, é possível calcular o chamado Número de Prioridade de Risco (NPR ou RPN), obtido pela multiplicação de Severidade, Ocorrênia e Detecção. O RPN é um critério de priorização importante (não é o único!) para o direcionamento de ações no FMEA. De certa forma, observar e comparar os RPNs equivale a posicionar um risco na Matriz de Riscos e estudar o quadrante de alocação.

Adaptar-se-ia, portanto, o formulário tradicional do FMEA ao Gerenciamento do Risco Corporativo, conforme a figura a seguir:

Assim, se tivermos definido na fase de identificação dos fatores de risco o fator "ações", no FMEA poderíamos ter uma derivação similar à que segue:

Fator de risco: Ações

Modo de Falha: Mudanças inesperadas - perda repentina de valor de ações adquiridas

Efeito: Redução moderada da lucratividade - Severidade 5

Causa: Cenário econômico - crise (externa) - Ocorrência 3

Controle Atual: Diversificação (eficaz para risco específico, ineficaz para risco de mercado) - Detecção 6

RPN: 5 x 3 x 6 = 90

Com base nessa derivação, compararíamos o RPN desse par Modo de Falha/Causa com os demais RPNs desenvolvidos no FMEA, e então estabeleceríamos a prioridade para a recomendação ou não de ações, ou seja, definiríamos assim qual seria a reação ao risco para esse item em particular (evitar, reduzir, compartilhar ou aceitar, o que, nesse caso, equivaleria a não recomendar ações).

É importante observar que eventuais ações recomendadas no FMEA devem ser tidas ainda como preliminares, ou sugestões a serem estudadas com maior profundidade na etapa de Resposta aos Fatores de Risco Prioritários do Gerenciamento do Risco Corporativo.

O FMEA ainda é pouco explorado no GRC, sendo a Matriz de Risco uma ferramenta mais recorrente, em virtude de sua simplicidade e impacto visual. É necessário apontar, entretanto, que o FMEA é uma técnica que exige um debate mais rico, mais aprofundado, sobre os mecanismos de ação dos fatores de risco em uma organização. Podemos pensar eventualmente na comparação entre a aplicação da Matriz de Risco e do FMEA como uma questão de custo x benefício. A Matriz de Risco provavelmente exigirá menor investimento na capacitação dos gestores e aplicadores, e se desenvolverá mais rapidamente, mas o FMEA trará certamente discussões mais ricas e especificidades que talvez passassem despercebidas na Matriz. Sistemas de gestão de risco mais maduros certamente aufeririam vantagens substanciais da aplicação do FMEA.

No próximo artigo, discutiremos em maior profundidade a questão da análise de prioridades no FMEA, bem como o desdobramento de sua aplicação em uma organização.

 

Postado dia 26/02/2013 - Fonte: Essência Sobre a Forma


Comentários:


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carlos cicote

Coordenador de Planejamento Industrial e Logistica
são bernardo do campo - SP
Membro desde: 16/11/16
Olá PRofessor Ricardo ! Excelente artigo.

Professor, me lembro que o Sr. havia elaborado um fluxograma de apoio ao aluno (Capacitacao Black Belt LEan 6Sigma na FCAV em 2013) no uso das ferramentas de análise através do Minitab. Era uma receita simples e bem objetiva.

Partia das definições sobre os tipos de dados (discreto/continuo) e seguia descendo, orientando cada etapa na aplicação das ferramentas estatísticas.

Se o Sr. ainda possuir este fluxograma e puder me enviar, será de grande ajuda!
Muito obrigado e um grande abraço! Foi uma honra tê-lo como Mestre.

Att,
Carlos Cicote
carlos.cicote@gmail.com


Dia 16/11/2016 às 17:46:47

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